BBC Brasil e o Terrorista que Podia ser “Defensor da Liberdade”

Raramente (se é que alguma vez já ocorreu), a BBC refere-se a atos de violência com motivações políticas ou nacionalistas contra israelenses como terrorismo. No entanto, a BBC não tem problema em fazê-lo quando se trata de ataques contra o solo britânico, seja levado a cabo por republicanos irlandeses ou lobos solitários inspirados na Jihad.

Dada a necessidade de atender a seu público interno, não foi surpresa que a BBC inglesa tenha cobrido o terrível ataque terrorista da semana passada na Ponte de Westminster e nas Casas do Parlamento em Londres, chamando-o de terrorismo. Será que a audiência britânica aceitaria menos do que isso?

 

Ataque em Londres: Quatro mortos em ataque terrorista em Westminster

 

Portanto, aqueles que pagam pela taxa de licença no Reino Unido, que mantêm a BBC operante, juntamente com os políticos que não puderam se deslocar por várias horas durante e após o ataque ao símbolo da democracia britânica poderiam ficar indignados com a política da subsidiária brasileira da BBC.

Quando um consumidor de notícias preocupado questionou na página do Facebook da BBC Brasil por que o ataque em Londres não tinha sido descrito como terrorismo, a resposta foi chocante:

 

 

Terrorismo é uma palavra carregada de conotações, por isso evitamos usá-la. O terrorista para uns é o defensor da liberdade de outros. O terrorista para outros é o vingador das injustiças contra outros. Não cabe à BBC julgar os motivos de quem excecuta ataques, por mais crueis e sangrentos. Nos cabe noticiar

 

Ironicamente, a taxa de licença da BBC, paga pelo público britânico, é definida e alocada pelo mesmo Parlamento que passou pelo ataque terrorista. Embora a taxa de licença não financie muitos dos serviços de língua estrangeira da BBC, estes serviços são considerados um braço importante para espalhar a influência e a cultura britânica no exterior.

Assim, enquanto o membro do parlamento, e ministro do Oriente Médio e África no Ministério das Relações Exteriores britânico, Tobias Ellwood, lutou bravamente para salvar a vida do policial Keith Palmer, a subsidiária brasileira da BBC não só se recusou a chamar o assassino de Palmer de terrorista, como ainda questionou se ele poderia ser chamado como tal.

O editor-chefe do HonestReporting, Simon Plosker, diz:

Será que esta é mesmo a mensagem que a BBC pretende passar em português ou em outras línguas – que um ataque terrorista vicioso contra o público e políticos britânicos seja tratado simplesmente como um “incidente” sem qualquer julgamento moral?

Mesmo em português, o público britânico e o governo entenderão que a BBC não só trai as vítimas do terror em todo o mundo, mas agora faz o mesmo com as vítimas de seu próprio país.

 

 

 

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