BBC Brasil e o Terrorista que Podia ser “Defensor da Liberdade”

While the BBC refers to the attack on the UK Parliament as an act of terror, the BBC's Brazil subsidiary refuses to do the same.

By March 28, 2017

Raramente (se é que alguma vez já ocorreu), a BBC refere-se a atos de violência com motivações políticas ou nacionalistas contra israelenses como terrorismo. No entanto, a BBC não tem problema em fazê-lo quando se trata de ataques contra o solo britânico, seja levado a cabo por republicanos irlandeses ou lobos solitários inspirados na Jihad.

Dada a necessidade de atender a seu público interno, não foi surpresa que a BBC inglesa tenha cobrido o terrível ataque terrorista da semana passada na Ponte de Westminster e nas Casas do Parlamento em Londres, chamando-o de terrorismo. Será que a audiência britânica aceitaria menos do que isso?

 

Ataque em Londres: Quatro mortos em ataque terrorista em Westminster

 

Portanto, aqueles que pagam pela taxa de licença no Reino Unido, que mantêm a BBC operante, juntamente com os políticos que não puderam se deslocar por várias horas durante e após o ataque ao símbolo da democracia britânica poderiam ficar indignados com a política da subsidiária brasileira da BBC.

Quando um consumidor de notícias preocupado questionou na página do Facebook da BBC Brasil por que o ataque em Londres não tinha sido descrito como terrorismo, a resposta foi chocante:

 

 

Terrorismo é uma palavra carregada de conotações, por isso evitamos usá-la. O terrorista para uns é o defensor da liberdade de outros. O terrorista para outros é o vingador das injustiças contra outros. Não cabe à BBC julgar os motivos de quem excecuta ataques, por mais crueis e sangrentos. Nos cabe noticiar

 

Ironicamente, a taxa de licença da BBC, paga pelo público britânico, é definida e alocada pelo mesmo Parlamento que passou pelo ataque terrorista. Embora a taxa de licença não financie muitos dos serviços de língua estrangeira da BBC, estes serviços são considerados um braço importante para espalhar a influência e a cultura britânica no exterior.

Assim, enquanto o membro do parlamento, e ministro do Oriente Médio e África no Ministério das Relações Exteriores britânico, Tobias Ellwood, lutou bravamente para salvar a vida do policial Keith Palmer, a subsidiária brasileira da BBC não só se recusou a chamar o assassino de Palmer de terrorista, como ainda questionou se ele poderia ser chamado como tal.

O editor-chefe do HonestReporting, Simon Plosker, diz:

Será que esta é mesmo a mensagem que a BBC pretende passar em português ou em outras línguas – que um ataque terrorista vicioso contra o público e políticos britânicos seja tratado simplesmente como um “incidente” sem qualquer julgamento moral?

Mesmo em português, o público britânico e o governo entenderão que a BBC não só trai as vítimas do terror em todo o mundo, mas agora faz o mesmo com as vítimas de seu próprio país.

 

 

 

© Divuach Ne’eman R”A, 2025

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