A Arrogância Européia Custa Vidas

Semana passada, eu participei da conferência do Instituto Internacional para o Contra-Terrorismo (ICT) em conexão com o Centro Interdisciplinar de…

By September 18, 2017

Semana passada, eu participei da conferência do Instituto Internacional para o Contra-Terrorismo (ICT) em conexão com o Centro Interdisciplinar de Israel em Herzliya (“IDC Herzliya”).

Palestrantes e participantes incluíram militares, diplomatas e especialistas de todas as regiões do mundo. Todos ecoaram o mesmo tema: não subestime o Estado Islâmico (ISIS), nem seus prováveis substitutos.

(Além do meu trabalho no HonestReporting, eu também sou membro adjunto do corpo docente e palestrante no IDC. O editor do HonestReporting França, Walter Ben Artzi, é estudante no IDC, assim como a estagiária do HR, Veronika Becvarova, que contribuiu para este artigo.)

(Walter Ben Artzi, Daniel Pomerantz e Joe Hyams, CEO do HR, na conferência do ICT.)

Estado Islâmico não é “Equipe JV”

O ex-presidente Barak Obama uma vez referiu-se a grupos terroristas na Síria e no Iraque (incluindo o Estado Islâmico) como a “Equipe JV” (time universitário júnior), uma metáfora esportiva indicando que ele não sentia que estes grupos representam uma ameaça séria. Presidentes americanos incluindo Obama e Trump, bem como vários especialistas, referiram-se ao Estado Islâmico como estando a caminho da derrota, apontando em particular para a perda de território.

A maioria dos especialistas na conferência do ICT discordou.

O Prof. Rohan Gunaratna explicou:

O controle do ISIS no Iraque e na Síria está diminuindo, mas sua influência está crescendo em todos os outros lugares… da Nigéria à Somália, e do Iêmen às Filipinas. Portanto, não devemos nos regozijar com a contração do ISIS, mas sim nos preocuparmos com sua influência em várias outras organizações.

Aaron Zelin, do Instituto Washington para Política do Oriente Próximo, acrescentou:

As queixas que levaram ao ressurgimento do Estado Islâmico ainda existem no Iraque e na Síria. Como resultado, isso poderia constituir uma base para o recrutamento.

Alguns especialistas observaram que o Estado Islâmico quase foi destruído durante o aumento da presença dos EUA no Iraque, mas se recuperou fortemente.

Brian Fishman, diretor de Política de Combate ao Terrorismo no Facebook, apontou:

A última vez que o ISIS operou secretamente (2014), eles se concentraram no uso da internet e tiveram muito sucesso. Por esta razão, não está claro para mim que eles serão derrotados na Síria e no Iraque apesar da perda na capacidade de governar e manter o território.

Brian Fishman na conferência do ICT.

No entanto, os especialistas da conferência apontaram para outro problema ainda mais sinistro: as “Forças de Coalizão” que lutam contra o Estado islâmico com o apoio ocidental incluem grupos brutais de milícias xiitas: às vezes iraquianos e às vezes vinculados ao governo do Irã. O resultado é que algumas regiões da Síria estão apenas trocando a violenta opressão sunita do Estado islâmico por uma opressão xiita igualmente violenta.

Ambas as situações servem como incubadoras do terror mundial, criando assim uma séria ameaça para todo o mundo ocidental.

 

Arrogância Européia

Finalmente chegamos à Europa.

A mesma Europa que constantemente “aconselha” Israel sobre como alcançar a paz e a segurança, ao mesmo tempo em que condena Israel por não adotar políticas semelhantes às estratégias desastrosas da Europa.

O vice-chefe da missão do Reino Unido para Israel, Tony Kay, exemplificou o discurso padrão da Europa:

Estamos fazendo muito… para proteger as pessoas de se tornarem terroristas, ou apoiarem o terrorismo… (usando) uma combinação de poder de convencimento com poder coercitivo. Estamos… engajando comunidades (e produzindo) muitos sucessos que o Reino Unido tem tido na luta contra o terrorismo recentemente.

Há uma obscura ironia na declaração de Kay, que veio apenas três dias antes de um terrível ataque terrorista atingir a estação Parsons Green do metrô de Londres, ferindo 29 pessoas na última sexta-feira. Embora Kay sem dúvida tenha tido boas intenções, sua declaração serviu de mais um exemplo de uma autoconfiança européia mortal, numa época em que a Europa precisa desesperadamente de mais humildade.

Na verdade, o recente histórico da Europa tem sido sangrento:

Apenas na semana passada, a Europa passou por três ataques separados em Londres e Paris, além de recentes ataques em Nice, Bruxelas, Estocolmo, Berlim, Manchester, Barcelona e outros. Em apenas dois anos (2015-2016), o terror islâmico matou 288 europeus e feriu 739, em contraste com Israel, onde 50 foram mortos durante o mesmo período.

 

Mortes por terrorismo Vs. região (2015-2016), Europa e Israel.

 

Os israelenses sofreram menos de um quinto do número de mortes pelo terrorismo do que os europeus, fato que pode surpreender o público de notícias que conhece Israel apenas através de manchetes dramáticas e enganosas.

Pode-se até dizer que a Europa (e não o Estado Islâmico) é a verdadeira “equipe JV”.

Considere que mais de 20% da população de Israel é árabe, assim como todos os países vizinhos, e a conclusão é óbvia: para todos os seus desafios, Israel entende como viver com os vizinhos muçulmanos e como se proteger contra o terror islâmico. A Europa, por outro lado, não.

No entanto, se os palestrantes na conferência da ICT são algum modelo, os líderes europeus precisam enfrentar e aceitar essa dura verdade.

E a população da Europa está pagando por esse erro com suas vidas.

 

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© Divuach Ne’eman R”A, 2025

Daniel Pomerantz

Daniel Pomerantz

Former CEO of HonestReporting, Daniel managed the entire organization, its staff and programming. He began his career as an attorney in the United States where he worked for high profile law firms in New York and Chicago before starting his own law practice, and later moving to Israel.

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