Em uma matéria para o Estadão sobre Bolsonaro e a possível mudança da embaixada brasileira para Jerusalém, a jornalista Cláudia Trevisan traz informações falsas e enganosas sobre a situação de Jerusalém e a história da cidade.
O que a autora quis dizer com “havia a promessa”? Quem fez tal promessa? Ela existiu? Por que não se concretizou? Em que contexto? Da forma como escreveu, Trevisan vitimiza a “quase-nação” “Palestina” cuja promessa de capital nunca foi cumprida.
Na verdade, quando Israel foi fundado, em 1948, a fundação ocorreu nos moldes da proposta da ONU para a Partilha da Palestina, ou seja, com as terras destinadas pela ONU ao Estado judeu e com Jerusalém internacionalizada. Não houve nenhuma promessa de que Jerusalém seria do Estado judeu ou do Estado árabe. O que houve sim foi a proposta de criação de um Estado árabe, que nunca chegou a ser criado pela recusa dos próprios líderes árabes na época.
Aliás, Trevisan fala em “capital da Palestina”, mas naquela época não havia o conceito de “Palestina” como territórios dos árabes palestinos, como há hoje. Na época, falava-se na criação de um Estado judeu e um Estado árabe na Palestina, região que até o fim do Mandato Britânico, em 1947, compreendia o que se conhece hoje por Faixa de Gaza, Israel, Cisjordânia e Jordânia (Até 1946).
A história falha continua…
“Inicialmente”? Quando foi esse início? E quando foi que a parte oriental de Jerusalém esteve sob domínio palestino uma vez que nunca houve soberania dos palestinos ali?
Trevisan escreve como se Jerusalém fosse uma cidade oficialmente dividida e como se a parte oriental fosse legitimamente controlada pelos “palestinos” até que Israel a tomou deles. Ela ignora completamente e deixa de fora do seu resumo histórico, as guerras e acordos que ocorreram entre 1948 e 1967.
Nunca houve um “domínio palestino” em Jerusalém oriental, mas um domínio jordaniano após a Jordânia quebrar os Acordos de Armistício que estabeleciam que ela iria administrar Jerusalém junto com Israel.
A cidade seria dividida geograficamente por tempo provisório (sem constituir fronteiras políticas ou territoriais), e deveria haver um funcionamento normal de instituições judaicas na parte oriental, como sinagogas, a Universidade Hebraica e o cemitério judaico no Monte das Oliveiras.
Mas a Jordânia violou o acordo, expulsou e/ou matou todos os judeus que viviam na porção oriental de Jerusalém e a cercou ilegalmente com muros e arame farpado.
(Entenda o mito da divisão de Jerusalém neste vídeo.)
Israel acabou tendo acesso apenas à parte ocidental da cidade por 19 anos. Até que em 1967, a Jordânia se juntou ao Egito na guerra contra Israel. Num processo defensivo, Israel derrubou as barreiras que dividiam Jerusalém e reunificou a cidade, como sempre fora em toda a história até 1949.
As afirmações jogadas e sem contexto de Trevisan não condizem com o jornalismo profissional que visa ilustrar o leitor e ajudá-lo a entender situações complexas.